segunda-feira, 22 de maio de 2017

A Arte de Saber Ouvir

Em uma sociedade global, conectada e tecnológica, a capacidade de comunicação entre as pessoas ampliou-se de maneira exponencial, permitindo trocas instantâneas de informações entre as pessoas, independente de suas localizações geográficas. Podemos falar com quem quisermos, em qualquer momento, basta que estejamos conectados à internet.

A tecnologia nos aproximou, mas não nos tornou melhores interlocutores. Saber falar e, principalmente, saber ouvir, é uma qualidade humana que precisa de prática constante para existir. Nossos dispositivos tecnológicos nos permitem mandar e receber mensagens de texto, áudio e vídeo, que superam em qualidade e precisão os inventos imaginados por Gene Roddenberry para Star Trek, série de televisão mundialmente consagrada, de 1966, que narra as aventuras da armada pacífica de humanos e alienígenas da Frota Estelar pelo universo.

Mas dispositivos não bastam se os humanos que os utilizam não entenderem o princípio básico da comunicação: saber falar e saber ouvir. A forma como dizemos as coisas influencia no entendimento delas, assim como a atenção que damos ao que é dito influencia no que entendemos. E o que mais se vê são pessoas egocêntricas, escrevendo, falando e filmando a si mesmas, sem qualquer ponderação ou filtro, impondo ao outro seu ponto de vista. Do outro lado, o comportamento é o mesmo, impedindo a conexão.É como tentar ligar um equipamento na rede elétrica, onde, na parede, ao invés de uma tomada há um plug, uma flecha. São dois conectores, sem nenhum receptor.  

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Então olho para essa imagem de uma escultura de São Francisco de Assis, num belíssimo flagrante com o pássaro azul a admirá-lo, ambos parecendo prontos a ouvir um ao outro, a partilhar desse momento. Em sua oração, São Francisco nos revela desejos de ser consolador, aquele que promove o amor, a união, a esperança e a alegria entre as pessoas. Só é possível realizarmos isso se nossa atitude for saber ouvir, aceitar, entender para, só então se fazer ser ouvido. Saber ouvir é uma arte, uma forma de amar e acolher ao outro. Não há tecnologia que nos instrumentalize para ouvir melhor. O que nos faz melhores ouvintes é ouvir com o coração o que, além de facilitar o entendimento, nos tornará pessoas melhores.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

Estar em contato com o que Realmente Importa!

Estar vivo é ver o tempo passar, amadurecer e, também, envelhecer. Desde que nascemos começamos essa jornada que nos levará ao crescimento e, se tudo der certo, a um final de vida depois de muitos e muitos anos de experiência na terra.

Ficamos, a cada dia, mais envelhecidos fisiologicamente. No entanto, ser velho independe da idade biológica. Há pessoas com mais de noventa anos que transbordam jovialidade, dominam a tecnologia e provam que envelhecer pode ser uma questão de escolha. Da mesma forma há pessoas com pouca idade biológica que comportam-se e pensam de maneira envelhecida.

Admirar a passagem do tempo é permitir-se vivenciar o sabor e as novidades de cada dia. Recentemente, ao parabenizar uma pessoa querida pelos seus 70 anos de idade, a mesma lamentou "Estou ficando velha". Respondi "Que bom! Se não estivesse envelhecendo, significaria que não estaria mais viva."

A imposição da juventude, exigida pela indústria da moda e do entretenimento, espelha padrões inatingíveis de estética e beleza, que aceitamos sem questionar. Mas afinal, por que a experiência e o amadurecimento emocional e físico são desconsiderados?

Se fizermos uma analogia com o mercado corporativo, quanto mais antiga e amadurecida no mercado, mais confiável é a empresa. Ela só deixa de ser confiável quando se torna obsoleta, perde contato com o momento presente, do mundo e de seus clientes, deixa de se atualizar.

Para as pessoas vale a mesma regra. Envelhecemos quando perdemos o contato com o que realmente é importante para nós, com o presente de nossa família, amigos e com os que estão ao nosso redor.

É tão bom ter experiências e acompanhar a existência de quem amamos com mente aberta e curiosidade, agregando e aprendendo sempre. Mais importante que a juventude do corpo, é a capacidade de assimilarmos conhecimento, aprendermos com a convivência diária e amarmos plenamente. É isso que nos torna pessoas melhores, mais vivas e próximas ao que significa ser eternamente jovem.




segunda-feira, 8 de maio de 2017

A RELATIVIDADE DO TEMPO

Uma amiga estava comentando sobre como o tempo se arrasta em alguns momentos e como passa em um estalar de dedos em outros. Acredito que isso aconteça com todo mundo, porque o tempo é, na verdade, relativo.  Uma hora de sessenta minutos pode se arrastar por uma semana, se estamos em uma situação profundamente entediante, como a aula mais chata que se possa imaginar na escola, ou aguardando numa sala de espera, ou esperando que aquele cliente entre pela porta da loja quando estamos na vez de atendimento e o shopping está vazio. Mas os mesmos sessenta minutos duram um piscar de olhos quando estamos nos divertindo, É como se o tempo desaparecesse e, de repente, passasse, sem que tivessemos percebido e aproveitado.


Hoje é 8 de maio. Passou-se uma semana; são sete dias, quase cento e setenta horas, dez mil e duzentos minutos desde que postei o texto anterior, me comprometendo comigo mesma a escrever para o blog "Toda Segunda". Parece que foi ontem! E eu, que estava cheia de ideias para escrever, me vi engolida pelo tempo, como se tivesse tomado um "caixote" de uma onda e, quando tirei a cabeça pra fora d'água, já tinha outra onda chegando. 8 de maio, "já estamos no meio do ano", me disse outra amiga. "O que aconteceu com fevereiro, março e abril? Não percebi eles passarem!"

É o tempo que está passando rápido demais, ou somos nós que estamos tão acelerados e atordoados com os diversos afazeres diários e imediatistas que não o percebemos passar. Estamos sempre correndo, atrasados, estressados e angustiados com prazos e compromissos, loucos para que chegue a próxima folga, o próximo feriado prolongado e que possamos enfim, descansar. E quando a esperada folga chega, inventamos mil atividades, que ficamos ainda mais acelerados. Inflamos as espectativas e nos frustramos por não conseguirmos fazer tudo o que pretendíamos naquele período. É como se corressemos acelerados para o fim da vida.

Desacelerar é uma necessidade "urgente". É um caminho para encontrarmos esse equilíbrio entre o tempo e as ações, entre o desejo e as realizações. O que, de fato, queremos? Do que necessitamos? Em primeiro lugar, de ar em nossos pulmões. Sem ele, duraríamos apenas mais uns cinco minutos. Respirar fundo nos ajuda a nos situarmos no momento presente. Nem no passado, nem no futuro, mas no aqui e no agora, que é, na verdade, o único lugar onde podemos de fato estar. 

"O ontem é história, o amanhã é um mistério, mas o hoje é uma dádiva. É por isso que se chama presente." Essa frase linda, dita pelo Mestre Oogway, uma velha e sábia tartaruga, é um dos momentos mais tocantes e de inspiração zen budista da animação Kung Fu Panda, filme que nos fala sobre desejo verdadeiro e dedicação ao que realmente buscamos com nosso coração. O hoje, o momento em que estamos, o presente que temos em mãos e com o qual podemos, efetivamente, fazer alguma coisa.

Há muitas pessoas falando sobre "mindfullness", sobre estar pleno, complento, de corpo e mente, no momento presente, para ter um controle consciente de nossa mente e nossas ações, sem agir no "piloto automático". A meditação é um dos caminhos indicados e começa sempre com uma respiração profunda. Se respirar é viver, respirar melhor é viver melhor e estar presente para aproveitar cada hora de sessenta minutos da melhor forma que possamos imaginar e, quando ela não passar na velocidade que gostaríamos, aproveitar o tempo que se alonga para pensar na melhor forma de realizar aquilo que desejamos para nossas vidas. Acredito que diante da percepção que temos de que o tempo passa rápido demais, uma hora que se alongue é, por si só, um presente otimizado.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Toda Segunda

Aqui estamos hoje em 1º de maio, dia do trabalho, uma segunda-feira,  um ótimo dia para celebrar e repensar aquela parte de nossas vidas que mais explicitamente compartilhamos com o mundo e, através do qual damos, também, nossa contribuição à sociedade. Trabalho! Palavra muito usada nos tempos de hoje, O trabalho, e a falta dele, tem mobilizado milhões de pessoas pelo mundo numa mesma energia de escassês, vulnerabilidade e incertezas.

Para que trabalhamos? Por quê?  Para quem, afinal, dedicamos grande parte da nossa existência terrena, em ambientes e com pessoas que compartilham conosco mais tempo do que nossas famílias, na grande maioria das vezes?

A partir desse questionamento olhei para minhas escolhas profissionais.

Comecei esse blog há algum tempo, sem saber exatamente o que esperar dele. Tampouco tinha ideia do que buscava através das histórias contadas nele. Gostava da escrita, do processo, das narrativas e, através delas, tocar as pessoas que com elas tivessem contato. Tateando nesse universo textual acabei descobrindo grande prazer na contação de histórias, na crônica diária, do acaso, da observação do dia a dia, daquela pequena rotina, sempre única e cheia de maravilhas.

Descobri que a escrita me alimenta, nutre minha alma e dá a ela liberdade pra voar, imaginar e contar histórias, das mais tolas às mais inesperadas, na adorável crônica da vida diária.Escrever, para mim, não é obrigação, é vida, energia, vitalidade, transformação. E ainda assim é trabalho, Um trabalho que amo e que me inspira a cada dia a estar disponível a ouvir e transmitir histórias.

É engraçado observar as voltas que a vida dá. De como ela se revela nova a cada dia, nos proporcionando, a cada inspiração, um sopro de novas possibilidades.

Como desejo de Ano Novo meu, e de muitos, acredito, quero um trabalho que me sustente, fisica, mental e espiritualmente, que nutra, além do meu bolso, minha alma e a engrandeça a cada dia, preenchendo-a de beleza, amor e gratidão. 1º de Maio de 2017. Que nossa celebração nos próximos anos, reflita a plena realização dessas aspirações. É o que desejo a todos!

Sendo, também, um desejo meu, contar histórias, minha resolução de 1º de maio deste ano passa a ser escrever mais. Para ser escritora é necessário escrever! Isso me remete ao título do post, uma proposição que fiz a mim mesma: toda segunda postar um texto novo no blog, com paixão. Paixão da Mulherada é para todos e cada um, com suas singularidades e pluralidades, exatamente como somos todos, em especial nós mulheres: muitas, dentro de uma só.

Feliz 1º de Maio! Feliz Dia do Trabalho!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O Gigante Acordou. Agora está na hora do Gigante Agir!

       Motivados pela truculência da polícia na repressão aos protestos contra o aumento das passagens em São Paulo, que nos causou a sensação de termos voltados ao estado de exceção da ditadura militar, fomos às ruas exigir respeito. O que buscamos vai muito além de termos respeitado nosso direito de ir e vir, de protestar. Queremos TODOS nossos direitos respeitados.

       Há muito temos reclamado contra o descaso da classe política que assume uma postura de dona do estado brasileiro, legislando em causa própria, roubando dos cofres públicos, sobretaxando os cidadãos com todo tipo de impostos cujos benefícios não recebemos.  Nossos direitos básicos, garantidos pela constituição, não são cumpridos. A saúde pública está agonizando, faltam médicos, leitos e até higiene nos hospitais públicos e nas unidades básicas e postos de saúde.  A escola pública foi sucateada e muitos alunos saem dela sem saber ler e escrever corretamente, sem entender matemática, verdadeiros analfabetos funcionais. Trabalhamos mais de cinco meses no ano para pagar impostos. A alimentação é sobretaxada. Um terço do que pagamos no supermercado são impostos que não se revertem em benefício à população.

      A impunidade de quem rouba a população e a surdez dos que governam o Brasil para a voz do povo é que trouxe a população à rua.  Acompanhamos durante meses o julgamento do “mensalão” acreditando que enfim, julgados e condenados, os corruptos seriam punidos. Queríamos Renan Calheiros e sua “ficha suja” fora da presidência do Congresso Nacional. Pedimos para que se retirasse um político homofóbico da presidência da Comissão de Direitos Humanos. Não fomos ouvidos! A classe política ignora a população. E agora quer tirar os poderes do Supremo Tribunal de Justiça, criando outros tribunais regionais. Também quer tirar o poder de investigação do Ministério Publico, com uma emenda constitucional, a PEC 37.

      O que somos para a classe política? Uma massa de manobra, “gado”, que só tem uma função: trabalhar para produzir lucro em impostos, dos quais ela possa se apropriar através de manobras escusas.

    O que queremos? “O gigante acordou” é um dos gritos mais ouvidos em todas as manifestações. Sim, acordamos! E agora, o que queremos? Quais são nossas reivindicações e, principalmente, como faremos valer o que queremos?! As manifestações nas ruas são apartidárias.  O povo rechaça qualquer presença político-partidária que tente se infiltrar nas manifestações. Não temos líderes nessas ações, é a população, como um todo, que vem pra rua e cada cidadão elege a reivindicação que é mais importante no seu ponto de vista. Mas isso causa um problema: como vamos fazer valer nossas propostas se não acreditamos na classe política, se ninguém que está no governo nos representa e se não esperamos que eles façam o que desejamos? Estamos num impasse!

      Chegou a hora de organizarmos o movimento, de decidirmos quais propostas queremos atendidas e como queremos que elas sejam atendidas. Temos que ter uma pauta clara de reivindicações para que elas possam ser cobrada da classe política. “Menos corrupção” é o que todos queremos, mas como a conseguiremos? Com mais transparência nas contas públicas, com menos burocracia, maior fiscalização e mais clareza em todo o processo. Diminuição dos salário e benefícios dos políticos e tantas outras modificações que queremos no país.

     Portanto vamos fazer uma pauta, organizar comissões para apresentá-la ao governo, caso contrário nosso “gigante acordado” não passará de um “zumbi ”, andando nas ruas, de um lado para o outro, gritando  sem conseguir que seus direitos sejam atendidos. Se não nos sentimos representados pelos que estão no poder, elejamos entre nós quem nos represente, quem tenha a nossa voz. O que não falta são problemas que queremos resolvidos. Sigamos agora em outra frente. A rua sempre estará lá, como nosso espaço, onde nossa voz é ouvida. Temos que avançar, além da rua e partir para a ação política. Quem se habilita, entre nós, a tomar a frente e montar a pauta que será discutida com a classe política? Façamos isso já, antes que alguém que não nos representa se aproprie de nossas reivindicações e haja em proveito próprio.


     O gigante já acordou. Agora está na hora do gigante agir!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Sol de Outono




                     Belas são as tardes de sol do outono 
                     de céu claro, envolvente 
                     paisagens de poema
                     momento magico de viver.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Conversa...


Vendo esta imagem fiquei pensando nas infinitas vezes em que apenas queremos que alguém nos ouça, desinteressadamente. Alguém que esteja disponível, atencioso, silencioso até, para que possamos dar vazão e forma àqueles sentimentos e pensamentos todos que nos vão pela cabeça.
Que não atropele nosso raciocínio e nos olhe de forma complacente, como se dissesse:
"Fale, estou aqui para te ouvir, atento ao que você diz".
Tenho certeza que esse moço, conversando com o a estátua do  Drummond teve tudo isso e que, mesmo diante do silêncio, percebeu que suas palavras receberam a atenção que ele buscava.

Essa é uma gatinha da sorte. Faça um carinho nela com o mouse e junto faça um pedido com fé...